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A obesidade é um fator de risco para o desenvolvimento de alguns tipos de câncer. Recentemente, concluiu-se que está relacionada ao aparecimento do câncer de intestino grosso, câncer de mama, câncer de endométrio (camada interna útero - responsável pela menstruação), câncer de rim e câncer de esôfago. Alguns estudos têm registrado, ainda, a associação entre obesidade e câncer de vesícula biliar, câncer de ovário e câncer de pâncreas, entretanto, maiores evidências serão ainda necessárias para uma conclusão definitiva.

Abaixo perguntas mais frenquentes sobre a relação entre obesidade e câncer:
Como a obesidade está relacionada ao câncer? Em linhas gerais, quais alterações a gordura em excesso desencadeia no organismo?
O mecanismo biológico que explica como a obesidade aumenta o risco de desenvolver um câncer pode ser diferente para os variados tipos da doença. Embora o mecanismo exato ainda não esteja bem esclarecido, acredita-se que o aumento do risco de alguns tumores como o de mama, o de endométrio e do intestino grosso nas pessoas obesas inclui as alterações dos hormônios sexuais (estrógeno, progesterona e androgênios) além de alterações nos níveis de insulina e fatores de crescimento ligados à insulina.

A obesidade está ligada a tipos determinados de cânceres ou pode ser um fator comum de desencadeamento?
Recentemente, concluiu-se que a obesidade está relacionada a vários tipos de cânceres, como o câncer de intestino grosso, câncer de mama, câncer de endométrio (camada interna útero - responsável pela menstruação), câncer de rim e câncer de esôfago. Alguns estudos têm registrado, ainda, a associação entre obesidade e câncer de vesícula biliar, câncer de ovário e câncer de pâncreas. Entretanto, maiores evidências serão ainda necessárias para uma conclusão definitiva.

Em relação ao câncer de mama, o aumento do risco devido à obesidade, depende do status menopausa. Após a menopausa, as mulheres obesas têm um risco 1,5 vezes maior de desenvolver câncer de mama, quando comparadas às mulheres com peso adequado, além de um risco maior de morrer em consequência deste câncer.

O aumento do risco de câncer de intestino grosso em pessoas obesas tem sido verificado com dados consistentes em homens. Esta mesma relação não foi identificada nas mulheres.

A obesidade tem relação com um subtipo específico de câncer de esôfago, que é o adenocarcinoma. Esta relação causal não existe com outro subtipo desta doença, denominado carcinoma de células escamosas.

Quais os cuidados devem se ter com a alimentação visando evitar o surgimento da doença?
Segundo dados norte-americanos, quase um terço da população adulta é obesa. Os dados mostram que 31% dos adultos com 20 anos de idade ou mais, quase 59 milhões têm critérios para serem classificados como obesos.

Infelizmente, no Brasil, os dados em relação à obesidade são alarmantes. Alguns dados mostram que entre os 20% mais ricos da população, o excesso de peso chega a cerca de 60% das pessoas com mais de 20 anos de idade. Também nesse grupo concentra-se o maior percentual de obesos: cerca de 17%.

Mantido o ritmo atual de crescimento do número de pessoas acima do peso, em dez anos os obesos constituirão 30% da população brasileira??" padrão idêntico ao encontrado nos Estados Unidos, onde a obesidade tem sido um sério problema de saúde pública.

As principais causas da obesidade são o sedentarismo e o consumo exagerado de alimentos com alto valor calórico e/ou gorduras. O sobrepeso e a obesidade são causados por uma alimentação pouco saudável.

Em se tratando da relação entre alimentação e câncer, deve-se no consumo evitar algum alimento ou grupo de alimentos específicos?
Apesar de estudos epidemiológicos observacionais sugerirem associação entre o tipo de dieta e o desenvolvimento do câncer, ainda não temos estudos randomizados que estabelecem claramente que a redução da incidência do câncer possa ser alcançada com a adoção de uma dieta específica.
Baseado nos estudos epidemiológicos observacionais, alguns alimentos devem ser evitados ou usados com moderação. Neste grupo de alimentos, estão incluídos os alimentos ricos em gordura, tais como carnes vermelhas, frituras, bacon, etc.

Existem também os alimentos que contêm níveis significativos de agentes cancerígenos, como por exemplo, os nitritos e nitratos usados para conservar alguns tipos de alimentos (picles, salsichas e outros embutidos e alguns tipos de enlatados). No estômago estes componentes se transformam em nitrosaminas que têm ação carcinogênica potente. Em populações que consomem de forma abundante e frequente alimentos contendo estes compostos a incidência de câncer de estômago é maior. Já os defumados e churrascos são impregnados pelo alcatrão proveniente da fumaça do carvão, o mesmo encontrado na fumaça do cigarro e que tem ação carcinogênica conhecida.

Algumas mudanças nos nossos hábitos alimentares podem nos ajudar a reduzir os riscos de desenvolvermos câncer. Frutas, verduras, legumes e cereais integrais contêm nutrientes, tais como vitaminas, fibras e outros compostos, que auxiliam as defesas naturais do corpo a destruírem os carcinógenos antes que eles causem sérios danos às células.

As fibras, apesar de não serem digeridas pelo organismo, ajudam a regularizar o funcionamento do intestino, reduzindo o tempo de contato de substâncias cancerígenas com a parede do intestino grosso.

Além do câncer, quais outras doenças a obesidade pode desencadear?
Quando comparamos as pessoas obesas com as pessoas de peso adequado, além do risco aumentado para câncer, elas têm também um risco maior para outras doenças, como: diabetes, doenças cardiovasculares, aumento da pressão arterial, acidente vascular cerebral, dentre outras. É importante lembrar, que a obesidade é acompanhada por redução na expectativa de vida, o que significa que geralmente as pessoas obesas vivem menos tempo quando comparadas às pessoas de peso adequado.

Texto: Dr Alexandre Fonseca