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QUANDO A BRINCADEIRA SE TRANSFORMA EM BULLYING


“A violência escolar sempre existiu, apenas não era intitulada de bullying. E talvez não fosse tão violenta. Mas não tinha a atenção mediática e social que tem hoje.
Ignorava-se e dizia-se “vai passar”. Mas pode não passar! E é isso que é importante; pode não passar. Pode ser algo que origine lacunas para toda a vida. Pode ser algo que, se não for travado a tempo e se a criança não for acompanhada devidamente, pode destruir toda uma vida idealizada pelos pais. E quiçá pela própria criança… Porque, na verdade, a submissão, a humilhação e a rejeição afetam, a todos os níveis as crianças, os pais, a escola e a própria sociedade. E, por conseguinte, é crucial dar atenção, analisar e travar este fenómeno. Analisarmos na sua teoria mas, sobretudo, na prática, no dia a dia. O que é o bullying e quem o pode praticar? O que é que poderá acontecer às vítimas e aos agressores? Quais as consequências futuras? O que é que, nós, como pais, poderemos fazer?
O que é o bullying?
Debrucemo-nos sobre a temática do bullying… Sobre a temática da violência psicológica, física, verbal e/ou sexual presente entre as crianças, desde os mais pequenos aos mais velhos; sempre de forma muito agressiva e marcante. O bullying não é mais que um comportamento agressivo, entre jovens de idade escolar, contendo um caráter intencional, prejudicial e persistente, podendo até durar anos.
Neste tipo de violência, podem existir quatro peças primordiais: a vítima, o agressor, a vítima/agressor e o espetador. A vítima são as crianças que sofrem, que são prejudicadas e humilhadas; os agressores são os praticantes dessas humilhações e violências (geralmente são crianças muito populares na escola); as vítimas/agressores são crianças que tanto podem sofrer de bullying como, ao mesmo tempo, o podem praticar; e, por fim, os espetadores são as crianças que não sofrem nem praticam bullying, mas que assistem a essas situações.
Além disso, o bullying não é só bater a alguém. Infelizmente, vai muito para além disso… Pode haver violência verbal (ex. chamar nomes); violência física (ex. bater) ou ainda violência social (ex. excluir alguém). Em Portugal, este tipo de violência ocorre entre 1 a cada 5 crianças, ou seja, cerca de 241 000 mil alunos (20%) – dados de 2014.
Mas o que sentem estas crianças? Porque é que elas têm este tipos de comportamentos? Será que há alguma explicação exata para este fenómeno? Claro que temos fatores que influenciam mais ou menos este tipo de comportamentos, mas não é algo assim tão linear. Nunca nos poderemos esquecer do sofrimento que isto causa, a todos os níveis e a todos os envolvidos. Não falo só das vítimas, mas também dos agressores. Que por vezes são tão esquecidos e tão julgados… Mas que, na maior parte das vezes, têm também um sentimento de dor e sofrimento! Das famílias, que têm de conseguir e saber lidar com este problema. Que não é fácil. No fundo, ninguém nasce ensinado para saber lidar com isto. Mas, com a comunicação e informação que existe hoje em dia, diria que estamos no “bom caminho”. Se é que há um bom caminho, nestas situações…
A obesidade infantil
Basta a vítima ter algo de “diferente” para poder ser motivo de gozo e humilhação. E ascendemos aqui a um ponto fulcral nesta troca de ideias. Por exemplo, a obesidade, que pode ser esse click “diferente”. Para além de todas as adversidades que esta doença acarreta para a criança, o bullying pode ser ainda mais uma. E, posteriormente, isso poderá trazer ainda uma série de consequências psicológicas para a criança. E andamos neste ciclo vicioso. Que terá de ser travado a todo o custo e o mais depressa possível. Segundo um estudo da Universidade de Michigan (EUA), as crianças obesas têm 60% mais de hipóteses de sofrerem de bullying do que as crianças sem obesidade. Agora sim, depressa se aperecebe da ligação destas duas temáticas e da interação que ambas têm uma com a outra. E, além disso, temos de nos alarmar, a todos os níveis, com o aumento significativo da obesidade infantil, nos últimos 20 anos.
Diria quase que atravessamos uma fase ou um novo ciclo vicioso em que: se a criança é obesa, certamente sofrerá de comentários ou agressões (nem que sejam verbais). E já nem lhe chamo bullying, no verdadeiro sentido da palavra. Este ciclo vicioso, de obesidade – agressões, dará ainda origem aos estados psicológicos mais depressivos, tristes e ansiosos, interligados com uma baixa auto estima. O que levará a criança a ter mais tendência para se refugiar na comida que, para bom entendedor meia palavra basta, poderá ser vista como a sua melhor amiga. E, portanto, chegamos a este ciclo, de que vos falava: obesidade – agressões – sentimentos psicológicos negativos – maior ingestão de comida – mais obesidade – mais agressões – mais sentimentos negativos – mais ingestão de comida. E será sempre assim até alguém dizer basta! E aqui os pais têm um papel fulcral. E a escola. Que tenta trabalhar, todos os dias, nesse sentido. Ainda assim, a escola poderia criar mais atividades de ocupação para as crianças, como por exemplo, aulas de teatro, de pintura ou várias atividades físicas. Isto faria com que as crianças andassem mais ocupadas, mais entretidas, mais divertidas (pressupunha-se que estas atividades tivessem várias vertentes: de aprendizagem, de estimulação cognitiva, emocional e social e de brincadeira). Será que ainda existiria espaço ou tempo para o bullying?
Todavia, é necessário referir que temos uma sociedade que tenta trabalhar no combate ao bullying e à obesidade infantil. As comidas com mais açúcares, ou as ditas “porcarias”, começam a ser proibidas nos bares da escola. Mas ainda há muito a fazer. Porque basta a criança sair da escola, ir ao café em frente e comprar aquilo que quiser. Porque têm o poder para isso. A oferta é muita e o que poderá a dita “sociedade” fazer nesses casos? Como vê, é um assunto muito peculiar. É dificil combater a obesidade infantil, com tudo o que a envolve. Daí a importância dos pais e das famílias. De conhecerem os alimentos, de ensinarem os filhos, desde logo, a comer de forma saudável.
Consequências do Bullying para as Vítimas
E, continuando a falar neste ciclo vicioso, o bullying pode ainda provocar problemas de aprendizagem; dificuldades de concentração e memória; dificuldades no sono; um incentivo a comportamentos futuros agressivos e/ou mais depressivos e ansiosos e aumenta o risco para comportamentos ligados ao abuso de substâncias, nomeadamente drogas. Estudos mostram ainda que há uma relação entre ter sido vítima de bullying na escola e depressão, na idade adulta. Sim, é verdade, a infância é, sem sombra de dúvidas, um período fulcral para o desenvolvimento pessoal. Mas há coisas que não se podem evitar. Há coisas em que falhamos, constantemente (pois não existe ainda um Manual sobre como educar cada filho). Essas falhas influenciam, com certeza, a personalidade da criança, o modo de agir e o modo de ser, com ela própria e com os outros. Mas, em vez de se culpabilizar, por ter um filho que bate nos outros meninos, ou por ter um filho que está sempre triste e não tem amigos, tem de o ajudar. É aí que terá um papel decisivo. Porque o bullying ou a obesidade, se falarmos nestas duas temáticas associadas, não são coisas fáceis. Nunca foram, nem nunca serão… Mas será que há uma fórmula mágica para lidar com isto? Uma fórmula que possa fazer que tudo acabe, com um piscar de olhos? Quando estamos nas situações, depressa nos apercebemos que infelizmente não há. Que infelizmente vamos sofrer! Mas aprender também com esse sofrimento. Temos de conseguir lidar com as coisas, com uma força e uma inteligência que, outrora, não conhecíamos.
Segundo vários estudos, a prática de bullying ligado à obesidade é mais frequente entre os pré-adolescentes. Mas não há uma regra básica para isto acontecer, ou seja, acontece em todas as idades; o que varia é o grau e a frequência com que acontecem.
E o que pode levar uma criança a ser agressora e a praticar comportamentos de bullying? Não há uma resposta certa e evidente para esta questão. Como já referi, não há uma “fórmula mágica” que leve uma criança a ter este tipo de comportamento. Existem sim um conjunto de situações que podem despoletar estes comportamentos, como por exemplo, a envolvência familiar, o local de residência, a educação que estas crianças têm, problemas familiares e até a falta de tempo e disponibilidade dos pais para os filhos. E, no fundo, estas crianças sofrem, seja no presente e/ou no futuro. Também são crianças que terão consequências, nomeadamente, dificuldade em criar relações; comportamentos anti sociais; incapacidade de autocontrolo; baixa auto estima e poucos objetivos de vida.
Há estudos que referem mesmo que as crianças agressoras são mais deprimidas do que as crianças que são agredidas. Porquê? Porque todos achamos que estas crianças só merecem ser punidas, e nada mais do que isso. Mas há muito mais para além disso. Há um sofrimento que precisa de ser controlado e amenizado. Não estou a dizer que não merecem um castigo ou um “puxão de orelhas”. É claro que sim. É claro que são atitudes intoleráveis, no entanto, há que saber dar esse “puxão de orelhas”. De preferência, com a ajuda de profissionais específicos.
Dicas
1) Leve o seu filho a uma equipa multidisciplinar, para ter o acompanhamento necessário para a perda de peso;
2) Explique ao seu filho o que é a obesidade e as consequências desta doença – principalmente a nível de saúde. Nunca diga ao seu filho que ele tem de perder peso para não gozarem com ele na escola. Esse não deve ser o motivo que o levará a perder peso, mas sim todas as consequências físicas e psicológicas que daí advêm;
3) Faça jogos com o seu filho, que abordem a temática da alimentação. Pode, por exemplo, mostrar-lhe frutas e legumes para ele adivinhar os nomes de cada uma. Pode também pedir-lhe ajuda a cozinhar, de forma saudável – permite uma maior interação pai/mãe e filho e, além disso, promove maior conhecimento sobre a alimentação saudável;
4) Seja o primeiro a dar o exemplo! Se quer que o seu filho seja saudável, também tem de o ser. Claro que não queremos entrar em exageros, mas sim, fazer um jogo de equilíbrios. Combinem um dia da semana em que podem fazer as asneiras que ele quiser (de forma moderada claro);
5) Esteja sempre atento ao comportamento do seu filho em casa ou na escola. Há alguma coisa de diferente nele? Na forma de agir, de falar ou, até mesmo, de pensar? Esteja atento a todos os pequenos sinais;
6) Converse com o seu filho sobre bullying – explique-lhe o que é esta temática; quais as causas e/ou consequências; como se pode ele defender; porque é que isso acontece com ele e, acima de tudo, explique-lhe que é uma fase passageira e que não irá ser uma vítima para o resto da vida;
7) Se detetar uma situação de bullying com o seu filho, esteja sempre em contacto com a escola e psicólogos. A escola, o psicólogo e a família são as ferramentas essenciais para ultrapassar este processo;
8) Fale com o seu filho sobre as amizade e a importância de ter amigos e andar sempre em grupo; seja para o seu desenvolvimento psico-social, seja para os agressores não atacarem de forma fácil;
9) Inscreva o seu filho numa atividade física fora da escola. Por exemplo, na natação, no futebol ou no karaté. Além de descarregar todas as energias negativas, conhece novos colegas e amigos e entenderá que o bullying para com ele não é algo fixo e invariável e que nem todos os colegas são iguais;
10) Crie uma maior auto estima ao seu filho. Faça elogios às coisas boas que ele tem e/ou que ele faz e recompense algumas dessas coisas. É importante que ele perceba que há quem goste dele, há quem o valorize e, essencialmente, que ele é especial que tem muito valor.
11) Os agressores também devem ter toda esta atenção. Não podem ser vistos como os “maus da fita”. Por mais que seja isso que se pense; eles sofrem e têm dificuldades, seja do ponto vista emocional, social ou adaptacional. Creio que, por vezes, não têm as melhores oportunidades para expressarem os seus medos, as suas zangas, raiva e, claro está, tristeza. E, consequentemente, esta é a forma mais fácil que têm de expressar. Compreender e, principalmente, perceber o porquê é fulcral.
Com a ajuda de todos, o bullying é mais fácil de ser ultrapassado. Consulte sempre um psicólogo, quer em situação de bullying, quer em situação de baixa auto estima e, claro está, em situação de obesidade. É fulcral intervir de imediato, para não causar mais lesões no futuro.
E nunca nos esqueçamos que tanto a vítima como o agressor estão fragilizados e a sofrer; apenas lidam com a questão de forma diferente. É um caminho duro, sem dúvida, com uma série de obstáculos mas, no final, apesar das lacunas que possam ficar, tudo se tornará mais fácil, com a ajuda de todos.
Um artigo da nossa psicóloga, Drª Mafalda Leitão, que saiu na Revista “Viva Mais Saúde Viva Melhor” sobre o bullying e a obesidade infantil. Deixamos-lhe parte desse artigo.
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