Não existe um perfil psicológico único da obesa. Existem obesas.
A obesidade é uma mistura de sentimentos, sensações e imagem corporal. É uma forma imprópria de usar a função alimentar, na tentativa de camuflar as dificuldades que vão se tornando insolúveis, reduzindo gradativamente as opções na vida.
O alimento é um condutor de afeto. Torna-se problema quando está substituindo os afetos, os confrontos, as rejeições, etc.
“A gordura tem a ver com proteção, sexo, criação, força, limites, maternidade, estabilidade, afirmação e raiva” (Orbach, 1978).
Perder peso não é, necessariamente, sinônimo de cura. A “magra-gorda”, ou seja, “a magra com cabeça de gorda”, a pessoa que não tem excesso de gordura mas exibe ainda as características emocionais que a tornaram obesa, tenderá a recuperar o peso perdido.
Esse tipo de evolução mostra que a avaliação estática do peso não é parâmetro fidedigno para indicar qualidade do padrão alimentar.

 

O tecido adiposo representa para a obesa uma reserva de alimento; é como se internalizasse uma mãe nutridora, que protege contra o frio e contra as carências psicológicas simbolizadas pelo frio (a falta de afeto, por exemplo). Assim, a moralidade da obesa estaria apenas em parte a serviço de um sadismo destrutivo. Seu principal papel estaria a serviço de uma necessidade de reparação do objeto materno destrutivo (Abadi, 1956).

 

A pessoa que come em excesso “descarrega” assim seus sentimentos de frustração, raiva e culpa. Esta atitude serve para reduzir seu sentimento de frustração, manifestar a sua raiva e focalizar a sua culpa, uma culpa tão intolerável que precisa ser projetada sobre outros ou desviada para a comida. Entretanto, ela acaba tornando-se prisioneira dentro de um círculo vicioso: a sua culpa leva ao crescimento da frustração e ao conseqüente aumento da raiva, o que faz com que a pessoa prossiga comendo compulsivamente e, portanto, sentindo mais culpa. Sem uma solução para a culpa, o problema de comer exagerado permanece intransponível (Lowen, 1979).

 

Algumas características nas áreas de agressividade e sexualidade são observáveis nas obesas.
No que se refere à agressividade, entendida como movimento que visa à modificação do mundo, as obesas tendem a não diferenciá-la da destrutividade, ou seja, acreditam que uma intervenção mais ativa seja muito lesiva aos outros. Não ocorre, portanto, exteriorização construtiva dos impulsos agressivos. Estes são autodirigidos, ou manifestam-se desordenadamente em episódios explosivos. A própria atividade alimentar exagerada pode ser considerada uma forma de auto-agressão (Betarello, 1987; Betarello & Fráguas Jr., 1987).

 

O deslocamento dos impulsos sexuais para a comida frequentemente começa já na puberdade. Mais tarde, as fantasias sexuais “impensáveis”, não aceitas, também são deslocadas para a comida (Kaufman, 1993).
Observa-se, na obesidade, a presença de alguns fatores genéticos fundamentais: a ênfase oral precoce e habitual, com oferta de comidas engordativas; o aprisionamento, e a repressão genital (levando a uma vida genital pobre) com que os pais vão marcando a vida da filha adiposa (Alperovich, 1956). Estes fatores se combinam em proporções variáveis. Se os 3 são importantes, a adiposidade se torna muito mais ostensiva.

 

Desde o nascimento, o alimento está ligado a uma vivência emocional (fome = desprazer) e a uma relação com a mãe que alimenta.
Assim se estabelece o vínculo simbólico, onde o alimento representa amor, segurança e satisfação da necessidade. Quando a mãe não responde de uma maneira adequada às mensagens da criança, esta se torna rapidamente incapaz de discriminar a fome da saciedade.
Para a obesa, o alimento será utilizado de forma inadequada e exagerada, para resolver todos os problemas de sua existência. O peso, para ela, é a sua proteção, ao mesmo tempo em que um inimigo contra o qual é preciso lutar.

 

Os quilos em excesso representam frequentemente, uma carapaça contra a ansiedade, contra a ameaça de desnutrição, dando à gorda um sentimento de força (Bruch, 1973; Bruch, 1975).
No entanto, a obesidade faz-se acompanhar frequentemente de abulia, passividade e inibição da agressividade. Correspondendo ao desejo da mãe que quer manter seu bebê junto a si, a obesa limita suas atividades e seus contatos. Não ousa separar-se dela, sua mãe-alimento, com medo de sentir-se só (Bruch, 1973; Bruch, 1975).

 

Tratando um grande número de crianças obesas, Rascovsky demonstra a influencia do fator ambiental na obesidade. Descreve uma constelação familiar típica constituída de um pai fraco e de uma mãe superprotetora, dominante e frequentemente obesa que limita as possibilidades de expressão e evolução no plano sádico-anal e genital, obrigando a filha a manifestá-las quase exclusivamente no oral.
Diz Rascovsky que o lema da mãe é “Come e fica quieto!” Enquanto isso, o pai ou não está presente ou olha para outra direção, deixando a mãe agir livremente. A falta, inexistência, ausência ou debilidade da figura paterna não só dificulta o oportuno desligamento da mãe como também dificulta as identificações masculinas indispensáveis para ambos os sexos (Rascovsky, 1975).

 

A filha obesa tem também sua responsabilidade neste tipo de interação familiar, submetendo-se, deixando-se induzir, como se houvesse um benefício incestuoso em ser “o nenê gordo da mamãe” e/ou por não ter energia nem modelos para recorrer a alternativas vitais (Alperovich, 1956).

Por: Arthur Kaufman, Psiquiatria / Nutrologia – CRM/SP 17274

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