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Alimentação, Obesidade

O diabetes é a segunda doença mais comum na infância, com um número cada vez maior de diagnósticos de todos os tipos dessa doença crônica ao ano. Lidar com esse quadro pode ser muito mais simples se os cuidados forem tomados assim que o diabetes for detectado na criança ou no adolescente. Em entrevista, o Dr. Mauro Scharf, diretor executivo do Centro de Diabetes Curitiba e membro da SBEM e da Sociedade Brasileira Diabetes, esclarece algumas dúvidas sobre como agir em um quadro como esse.

O primeiro passo é saber como identificar os sintomas, que segundo o Dr. Scharf, são caracterizados pelo excesso de sede e de urina, e pela perda de peso. “Muitas crianças voltam a urinar na cama ou acordam para beber água na madrugada”, diz o médico, complementando que nas crianças menores, principalmente as que estão em fase de amamentação, é mais difícil perceber a sede excessiva, mas o aumento de urina pode ser notado na frequência de troca de fraldas, assim como a respiração mais acelerada e a perda de peso. “Quando não percebido a tempo, esses sintomas podem evoluir para uma grave desidratação, hálito cetônico, vômitos e evoluir para o coma diabético”, diz o médico.

Se percebidos os sintomas, o médico diz que o próximo passo é consultar um pediatra, que é o especialista que vai dar o diagnóstico e verificar se a criança está metabolicamente compensada para iniciar a insulinoterapia. “O envolvimento do especialista deve ser realizado assim que possível, visto que a insulinoterapia deve ser individualizada e ajustada de forma continuada”, explica o pediatra. Ele destacou também que, caso seja necessário, as crianças lactentes devem ser internadas. As crianças maiores podem ser insulinizadas ambulatorialmente.

O Tratamento

O tratamento é feito sempre com a aplicação de insulinas, que podem ser insulinas NPH e regular; com análogos de insulina; esquemas Basal/Bolus; com utilização de SICIs; ou os sistemas de infusão continua de insulina (bombas de infusão). “A decisão para uso dos diferentes tipos de terapia vai depender da idade e da fase do diabetes em questão”, diz o Dr. Scharf.

O médico diz que a automonitorização da glicemia, a educação em diabetes, a prática de atividade física e o controle nutricional são necessidades comuns em qualquer faixa etária de pacientes com DM1, tanto nas crianças quanto nos adultos, e precisa fazer parte da rotina de tratamento.

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O especialista destacou que, de forma natural e sempre envolvendo a criança nas tomadas de decisões, os pais devem ajudar na inclusão da automonitorização no dia a dia do paciente, e, aos poucos, a criança percebe a importância desse controle. “Escovar os dentes, pentear os cabelos e tomar banho são hábitos tão incorporados que se tornam naturais depois de algum tempo. As automonitorizações também podem ser incorporadas de forma natural na rotina da criança, desde que ela entenda a real utilidade e que ela participe nas tomadas de decisões relacionadas aos resultados”, destaca o médico.

Além disso, os pais devem sempre ficar atentos em manter uma frequência nas consultas médicas para saber se a criança está com uma velocidade adequada de aumento de peso e altura e também para ajustes na terapia insulínica, que varia de acordo com as fases do desenvolvimento. “Na adolescência, o aumento das doses de insulina pode chegar até 50%, e isso precisa ser monitorado de perto”, diz o especialista.

Após a infância e adolescência, os cuidados devem continuar os mesmos, mas o paciente deve ser encaminhado para um ambulatório de transição, onde o endocrinologista pediátrico e o endocrinologista adulto atendam simultaneamente a criança. Geralmente entre 15 e 19 anos acontece essa mudança, mas isso varia em cada caso.

Por último, Dr. Scharf destacou também a importância do acompanhamento psicológico da criança e da família, que deve ser feito desde o princípio. “A negação, a contemplação e a aceitação da doença são cíclicas e o retorno à negação é comum. A melhora contínua da autoestima e o trabalho de tornar a criança independente com seu autocuidado faz parte das ferramentas para facilitar a aceitação da doença”, explica o endocrinologista. A dica final do médico é fazer a integração da criança com outras que também possuam diabetes, por meio de encontros, associações e acampamentos. Além disso, os pais devem evitar a superproteção e a discriminação, comportamento fundamental nesse processo de aceitação.


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