A colelitíase (pedras na vesícula) é uma das mais frequentes doenças cirúrgicas do aparelho digestivo. A cirurgia é indicada para pessoas que possuem cálculos (pedras) na vesícula com sintomas associados como dor na boca do estômago ou no lado direito do abdome, assim como náuseas ou vômitos associados à alimentação.

 

 

 

 

 

A história clínica sugere sua ocorrência , mas para confirmar a presença de cálculos, faz-se necessária a ultra-sonografia de abdome.
A cirurgia é necessária porque estas pedras podem causar dor recorrente, inflamação da vesícula e até mesmo patologias graves como pancreatite aguda, além de outras complicações.

 

 

 

 

 

 

Esta operação é executada por acesso videolaparoscópico com 3 a 4 pequenas incisões no abdome, tendo geralmente um pós-operatório com pouca dor, recebendo alta entra 12 a 24 horas após o procedimento e, na maioria dos casos, é possível retornar ao trabalho em 1 a 2 semanas.

 

 

COLELITÍASE: “PEDRA NA VESÍCULA”

A vesícula biliar é um pequeno órgão de forma sacular que fica junto ao fígado e sua função é armazenar a bile. A bile é produzida no fígado e tem por finalidade ajudar na digestão dos alimentos, sendo liberada para o intestino após a alimentação.

Os cálculos (pedras) da vesícula biliar representam uma das doenças mais frequentes em adultos acima dos 20 anos. De forma geral, as mulheres são acometidas quatro vezes mais que os homens, sendo que os principais fatores de risco para desenvolver a doença são: sexo feminino, idade acima de 20 anos, obesidade, múltiplos filhos e história familiar da doença.

Há vários tipos de cálculos e tamanhos variados dos mesmos.  As pessoas podem ter apenas uma ou múltiplas pedras, que podem ser pequenas como um grão de areia chegando a vários centímetros.

 

A maioria das pessoas que possui cálculos na vesícula biliar é assintomática, ou seja, não possui sintomas. Os sintomas acontecem quando um cálculo obstrui a saída da bile da vesícula biliar, sendo a dor abdominal na região do estômago e abaixo das costelas do lado direito a apresentação mais comum. Normalmente, a dor inicia após uma alimentação muito farta em alimentos gordurosos, dura cerca de 30 minutos até poucas horas, podendo vir acompanhada de náuseas, vômitos, sensação de estufamento, entre outros sintomas.  Em algumas situações, pode estar associada com complicações, como inflamação da vesícula (colecistite) e pancreatite aguda e, nestes casos, o médico deve ser prontamente consultado.

Cabe ressaltar que nem sempre a presença dos sintomas descritos acima representa a existência de pedras na vesícula, devendo o médico ser consultado para afastar outras doenças que podem apresentar queixas muito semelhantes (por exemplo, doenças do esôfago, do intestino, do refluxo, entre outras) e possibilitar ao paciente o melhor manejo clínico e o esclarecimento de suas duvidas.

Para realizar o diagnóstico é necessária realização de exame clínico e exames complementares. O principal exame para diagnóstico da doença é a ultrassonografia de abdome, no qual são visualizadas as imagens sugestivas de cálculos.  Uma vez feito o diagnóstico, o tratamento proposto é a cirurgia eletiva (programada), com a retirada não somente das pedras, mas também da própria vesícula biliar.

A cirurgia não é de urgência e pode ser realizada por dois métodos: cirurgia convencional ou “com corte” e cirurgia videolaparoscópica, popularmente conhecida como “cirurgia a laser”. Esta última tem ampliado suas indicações e, normalmente é a mais indicada, principalmente por estar associada a período mais curto de internação hospitalar (cerca de um dia) e recuperação mais rápida, com possibilidade de retorno as atividades habituais mais rapidamente.

Importante lembrar que nem todas as pessoas que possuem cálculos na vesícula devem ser operadas. Pessoas sem sintomas que encontram cálculos durante realização de exames por outros motivos, geralmente, não precisam realizar tratamento. A cirurgia para a retirada da vesícula está indicada, neste contexto, para os pacientes que possuem dor abdominal recorrente ou para aquelas sem sintomas, mas que se enquadrem em uma das situações que seguem: tenham menos de 30 anos de idade (pelo risco de complicações futuras), apresentem cálculos muito grandes ou cálculos de qualquer tamanho associados com pólipos na vesícula (devido ao risco de câncer de vesícula) e aquelas mulheres com planos de gestação (para evitar complicações durante a gravidez e evitar riscos para a mãe e o bebê).

Por fim, para o manejo da doença, é imprescindível consultar com médico especializado, a fim de realizar o diagnóstico precoce, tratamento adequado e evitar complicações.

Dr. Diego Reffatti CRM 30.839
Cirurgião do Aparelho Digestivo
Clínica Gastrobese – 3045 4070